Este blog tem andando às moscas há alguns meses. Se você estava acompanhando as postagens, peço desculpas, nos últimos meses me ocupei na criação de um novo site ( www.dilonefotografia.com ) e acabei deixando este aqui de lado.

Bem, há 3 semanas arrumei minha mochila, algumas roupas, a câmera, lentes e tripé, e saí de Florianópolis com o objetivo de cruzar o Brasil até a região Norte e explorar este pedaço de Brasil que aparentemente vive em simbiose com o meio que o cerca. O roteiro, traçado a lápis, indica que partindo de Belém subo primeiramente o Rio Amazonas e depois o Rio Negro, até chegar na última cidade brasileira do Alto Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira.

Escrevo estas linhas sentado no lounge do Hostel onde cheguei hoje, em Belém / PA, e admito que minha vontade imediata era começar escrevendo sobre Belém, embora esteja aqui há apenas 1 dia, pois temo que o tempo tornará mais difícil transformar em palavras as sensações que esta cidade lhe joga na cara a cada momento. Falo isso de maneira positiva e também negativa. São cores, cheiros, sabores que não pedem licença e arrebatam os sentidos, nem sempre de maneira prazerosa. Sinto como se estivesse em país diferente, mesmo que dentro do Brasil, tamanha a diferença cultural para o Sul do país, onde cresci e moro. Mas vou segurar esta vontade de escrever sobre Belém por ora pois pretendo relatar minhas experiências pelas cidades e lugares que passei em sequência. Sendo assim, não o poderia fazer de outra maneira que não começar pelo início da “jornada”. Sem suspenses, minhas paradas até chegar em Belém foram, nesta ordem, Goiânia, Cidade de Goiás e Pedro Afonso, no estado do Tocantins.

Espero que dentro de algumas semanas eu consiga “tirar este atraso” para que as postagens aconteçam em tempo real, de acordo com o que for acontecendo na minha viagem. Tentarei, também, transcrever as minhas percepções de cada lugar e cada experiência isento de parcialidades ou pré-conceitos, no entanto, entendo também que para isso uma pessoa teria que ignorar todas as suas experiências e raízes, pois o que seriam nossas percepções de mundo senão mais que o somatório de tudo pelo que passamos em vida? Sendo assim, peço desculpas antecipadamente se algo em meus relatos lhe parecer em desacordo com a sua percepção sobre alguma coisa.

Em um dos meus livros favoritos, Mar Sem Fim, Amyr Klink escreveu: “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.” Este livro, e mais precisamente este trecho do livro, mudaram a minha maneira de ver a vida de uma maneira que sequer poderia imaginar e por isso compartilho com você. Também, pois acredito que muito do que é dito naquelas linhas tem a ver com o que serão os relatos desta jornada.

Bom, não quero espichar demais este primeiro post de introdução, portanto, convido-o a embarcar comigo e juntos conhecer um pouco mais do Brasil. Até o próximo post!

Leandro