O post para esta semana já estava pronto há alguns dias. É sobre um livro do fotógrafo neozelandês Peter James Quinn chamado New Zealanders in Focus. No entanto, o falecimento de meu avô Arlindo me levou a reflexões sobre alguns assuntos e decidi escrever sobre fotografar as pessoas que lhe são queridas.

Pouco antes de embarcar para a Nova Zelândia, enquanto passava uma semana de despedidas da família em Três Passos, no interior do Rio Grande do Sul, tive uma vontade imensa de fotografar meus avós. Não tinha o hábito de fotografar familiares e estes também não estavam acostumados a serem fotografados, porém na semana livre que tive passei o máximo de tempo que pude com eles e os fotografei.

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Nestes dias, meu avô Arlindo foi solícito ao neto que lhe pedia ora para se virar em direção a luz da janela ou para mudar de posição. Passamos horas juntos, eu fotografando e ele me contando suas infindáveis histórias: de quando ele soube que minha mãe estava grávida de mim, de quando deu um tiro no escuro e acertou dois animais ao mesmo tempo, e logo as histórias voltavam a se repetir e eu as escutava como se fosse a primeira vez.

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As fotografias que fiz do Seu Arlindo naqueles dias tomaram um significado muito maior e especial para mim. São a lembrança do último momento que tivemos juntos, embora ambos não soubessem que era o último.

A vida é frágil e imprevisível, portanto, fotografe! Fotografe as pessoas que você ama, eternize os momentos que passarem juntos, faça uso do que há de mais belo na fotografia que é guardar um momento no tempo para toda a eternidade. Não espere o amanhã, faça-o hoje, e amanhã também!

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Ao meu querido avô, que descanse em paz. Você parte mas deixa um pouco de si dentro de cada um de nós.

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